terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O autismo em foco no Repórter Justiça

O autismo em foco no Repórter Justiça

O Repórter Justiça esta semana mostra o amoroso esforço de diversos grupos de pessoas que ajudam outros semelhantes, portadores de um transtorno pouco conhecido que se chama autismo.
A ciência reconhece o autismo desde 1943, mas apesar de tanto tempo de pesquisas a comunidade científica internacional ainda não entrou em acordo sobre as causas desse transtorno. Sabe-se apenas que o autismo afeta a capacidade de comunicação e socialização do indivíduo e tem uma incidência maior entre pessoas do sexo masculino.

Este mês o Brasil assistiu a diversas ações dedicadas a ressaltar a importância do tema que afeta cerca de 70 milhões de seres humanos em todo o planeta, segundo dados da Organização das Nações Unidas - ONU.

No Brasil, as estimativas estão na casa dos 2 milhões de portadores do transtorno. O tratamento e o cuidado dessas pessoas esbarra num grave problema que é a falta de políticas públicas, escolas, recursos financeiros voltados ao desenvolvimento e inclusão no convívio social de quem apresenta o transtorno.

Visando combater o desconhecimento e os preconceitos, a ONU, em 2007, definiu o dia 2 de Abril como "Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo". Daí em diante, todos os anos é feita uma mobilização mundial para divulgar informações sobre a importância do diagnóstico precoce e chamar a atenção de toda a sociedade.

Para o Ministro do Superior Tribunal de Justiça Mauro Campbell, "... é preciso fazer com que haja inserção; primeiro em todos os programas possíveis. E que os governantes tenham a visão de que isso será a prova cabal de que não há barreiras intransponíveis porque as barreiras são colocadas por aqueles que preconceituosamente não tem coragem de enfrentar o problema."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Autistas em Cativeiro

07/05/2008 - 12:40 | Edição nº 520
Autistas em cativeiro
Sem saber como lidar com filhos sofrendo de autismo severo, famílias optam por uma solução medieval: prendê-los a correntes
TÂNIA NOGUEIRA
 

 
ISOLADO
Alexsandre Borges da Silva, autista mantido em um quarto com grades.
Casos assim são comuns no país
A janela do quarto de Alexsandre Borges da Silva, de 18 anos, dá para dentro da casa simples de Sapeaçu, no interior da Bahia. É um vão aberto para o corredor que leva da sala à cozinha. “Quando o dinheiro der, vamos colocar uma grade”, diz o padrasto Cosme Nogueira da Silva, enquanto com as mãos desenha barras de ferro no vazio.
Por todo o Brasil, no século XXI, autistas como Alexsandre ainda recebem tratamento semelhante ao que os deficientes mentais recebiam na Idade Média. Naquela época, era comum eles viverem como animais. Presos em jaulas, não recebiam educação, eram alimentados por entre as grades, faziam as necessidades no chão.
Hoje, quase todo médico, professor ou terapeuta da área de distúrbios do desenvolvimento, categoria na qual o autismo se enquadra, sabe de um portador da síndrome que passa longos períodos amarrado à cama, preso em um quarto minúsculo, fechado atrás de um portão de ferro. Por que, então, eles não denunciam esses casos à polícia? A resposta é sempre a mesma: as famílias também são vítimas. Os pais só trancam os filhos em “jaulas” quando eles representam um perigo para os outros ou para si mesmos e não há onde colocá-los.
As autoridades não ignoram o problema. “O governador (Jaques Wagner) conhece o caso dos meninos presos”, diz Junior Magalhães, deputado estadual (DEM) e relator do projeto que deu origem à lei baiana do autismo, a primeira lei estadual no Brasil a tratar da questão de forma ampla. A lei afirma que é obrigação do Estado manter unidades para o atendimento integrado de saúde e educação. Diz que o Estado da Bahia tem de arcar com tratamentos especializados como fonoaudiologia, psicoterapia comportamental, fisioterapia – e, em casos graves, a internação em unidades especializadas. Mas ainda não está sendo amplamente aplicada.
Uma nova lei na Bahia prevê assistência do Estado aos autistas. Ela ainda não está sendo aplicada, dizem os pais
Provocado por uma alteração no desenvolvimento do cérebro durante a primeira infância, o autismo se caracteriza principalmente por inabilidade social, dificuldade com a linguagem e hábitos repetitivos. Tem vários graus de gravidade e está relacionado a uma grande variedade de outros sintomas e alterações de comportamento. Sem a educação e o tratamento adequados, alguns autistas passam a agredir a si mesmos e, em alguns casos, a agredir outras pessoas. O autismo não tem “cura”. Mas o tratamento melhora a qualidade de vida, o grau de independência e a sociabilidade.
O problema é que a maioria dos autistas, assim como Alexsandre, recebe tratamento aquém de suas necessidades. No dia em que a reportagem de ÉPOCA visitou Sapeaçu, Alexsandre chegou à sala trazido pelo padrasto. Encurvado, se arrastava. Tinha a cabeça levemente jogada para trás e os olhos perdidos no teto. Os dentes batiam de frio. Os olhos se mexiam – de um lado para outro, sem parar. “Ele está impregnado”, disse Rita Brasil, presidente da Associação dos Amigos do Autista da Bahia, que acompanhava a visita. Na linguagem própria de pais de autistas, impregnado quer dizer dopado.
RECUPERAR É POSSÍVEL
Autista severa, Adriana Delgado trabalha em uma lavanderia
O autismo de Alexsandre foi diagnosticado aos 4 anos. Seu tratamento começou tarde. Hoje, Alexsandre faz fisioterapia e freqüenta a escola especial da Fundação Pestalozzi de Sapeaçu, por meio período, duas vezes por semana. Se está agitado demais, fica trancado em seu quarto.
Em alguns casos, vizinhos que ficam sabendo de um autista preso chamam a polícia. A criança é tirada dos pais e depois devolvida, diz Angélica Menezes, jornalista, diretora da Associação Baiana de Autismo e mãe de Ygor Felipe, um autista hoje com 22 anos. “Nenhuma instituição pública está preparada para receber um autista de grau severo”, afirma. Angélica chegou a vedar a porta do quarto de Ygor. “Tinha épocas em que eu ficava dias sem entrar, senão ele me surrava. Havia até fezes na parede do quarto.” Entre outros episódios, Ygor tentou se atirar do 7o andar de um prédio em Salvador, quebrou o nariz e um dente da mãe e empurrou escada abaixo a irmã, grávida. Angélica entrou com uma ação judicial pedindo que o governo da Bahia cubra os R$ 2.800 de custos da internação de Ygor em uma clínica particular. Também está reunindo a documentação de cerca de 50 famílias para mover uma ação civil pública para exigir que o governo da Bahia cumpra a lei promulgada em março de 2007 e ofereça (ou pague) tratamento para os autistas. “Faz um ano que a lei foi aprovada, e, até agora, eles não nos deram nada”, afirma Angélica. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Autismo pode ser apenas sintoma de uma síndrome mais grave


Dificuldades na fala e na interação social têm várias origens diferentes.
Para especialistas, termo “doenças do espectro autista” é mais abrangente.


Tadeu MeniconiDo G1, em São Carlos (SP)

Dificuldades para aprender a falar, problemas de interação social e movimentos repetitivos sem nenhum motivo aparente são os sintomas mais conhecidos do autismo. Mas essa condição não é uma doença por si só, pode ter várias origens diferentes, e pode ser apenas o indício de uma síndrome mais complexa.

Além disso, há vários graus diferentes do problema, e por isso os especialistas preferem o termo “doenças do espectro autista”. “Inclui desde a forma clássica, a criança isolada que não comunica e não fala, mas tem as formas mais leves”, explicou Maria Rita dos Passos Bueno, que pesquisa a genética do autismo no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).




Maria Rita dos Passos Bueno durante palestra em São Carlos (SP). (Foto: Tadeu Meniconi / G1)

A síndrome de Asperger é uma dessas formas mais leves, uma das doenças menos graves do espectro. As crianças aprendem a falar na idade normal, mas têm problemas para se integrar à sociedade. Porém, mesmo dentro do grupo dos que têm essa mesma doença, há diferentes níveis de isolamento.

“Existem alguns que conseguem romper essa dificuldade e se adaptam, e tem outros em que não têm o que se fazer, não se adaptam nunca”, relatou a pesquisadora.

Bueno cita também algumas doenças complexas que têm o autismo como mais uma das consequências causadas. A síndrome de Rett provoca, além do autismo, dificuldades motoras que podem até levar à necessidade da cadeira de rodas.
 

Já a síndrome do X frágil pode provocar autismo, mas tem como característica mais grave o retardo mental. Além disso, traz alterações no tamanho dos testículos, das orelhas e mudança no formato do rosto, que fica mais alongado.

“Essas crianças têm um monte de outras coisas além de autismo, o autismo é como se fosse um sintoma de um quadro mais complexo”, conclui a cientista.

Autismo clássico
 No entanto, há também muitos casos de autismo que não vêm acompanhados dessas outras doenças. Nesses casos, o autismo é o problema em si a ser tratado. “É como se não tivesse sinal clínico suficiente para você dizer que é uma síndrome. Esses pacientes entram no bolo das doenças do espectro autista”, diz Bueno.

“Nesse caso, o maior problema é o problema de comportamento que a criança tem, e não tem nada alterado: cara normal, tamanho normal, tudo normal, é uma criança normal, exceto no comportamento”, acrescenta.

Estudo genéticos já levaram os cientistas a encontrar pelo menos cem mutações genéticas diferentes que podem provocar o comportamento autista. Além disso, pode haver casos em que duas ou mais mutações se somam. Por tudo isso, é difícil identificar e combater o problema.

Tratamento
“É fato que o autismo, quanto antes identificado e tratado, melhor o prognóstico e melhor a inserção social. Agora, é claro que isso não significa que todos os casos terão um ótimo prognóstico mesmo tratados em idade bem prematura”, explica a psicóloga Cíntia Guilhardi, doutora pela USP, que trabalha com crianças autistas no Grupo Gradual.

A idade ideal para o início do tratamento, segundo a especialista, é antes dos três anos de idade. “Quanto antes a gente trata, menos comportamentos do espectro estão instalados no repertório da criança e mais chances de ampliar a variedade de comportamentos dela”, completa.

O tratamento dessas crianças é feito não só com psicólogas nas clínicas, mas também com o uso de medicamentos.


Fonte G1

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Confraternização em BH

                           Primeiro Encontro da Família Autista
Convidamos você Amigo dos Autistas de MG a participar do
Primeiro Encontro de Confraternização da Família Autista
Realizado Dia 21 de Janeiro de 2012 das 12 às 18 horas.
End. Colégio Marconi Av. Do Contorno 8476 Sto. Agostinho próximo a Praça Pio XII e Av. Amazonas
Venha e traga sua Família, será um dia de grande alegria, diversão de forma segura. Troca de experiências entre os Pais de Autistas de MG.
Sua Família não pode perder.
“Autismo BH precisa conhecer, direito e cidadania dos Autistas está em jogo, junte-se a Nossa Família”.
Organização e informação: Mauricio Moreira 3188567682
Apoio - AMA MG