segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Autismo na Revista Veja

Saúde mental

Treinamento destinado a pais de crianças autistas aumenta eficácia dos remédios

Embora somente medicação ajude em problemas comportamentais, conscientização dos familiares sobre o transtorno favorece o tratamento

Conhecimento dos pais sobre problemas de comportamento de crianças autista pode ser, junto ao remédio, um aliado no tratamento (Jupiterimages/Thinkstock)
Pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, observaram que crianças com autismo respondem melhor ao tratamento com medicação quando ele é associado a um treinamento dado aos pais para lidarem com os problemas dos filhos. O estudo está presente na edição deste mês do periódico Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry.

Saiba mais

AUTISMO
Distúrbio que afeta a capacidade de comunicação e de estabelecer relações sociais. O autista comporta-se de maneira compulsiva e ritual. O distúrbio, que pode afetar o desenvolvimento normal da inteligência, atinge cinco em cada 10.000 crianças e é de duas a quatro vezes mais frequente no sexo masculino.
De acordo com o estudo, crianças com autismo costumam enfrentar problemas comportamentais graves, como dificuldade de interação social e de adaptação e comunicação atrasada. Os pesquisadores mostraram que a medicação sozinha já é capaz de ajudar a amenizar esses sintomas. Porém, ela poderia surtir efeitos melhores se, junto a ela, os pais desses jovens entendessem melhor sobre o problema dos filhos. A pesquisa se refere a um treinamento no qual os pais fazem visitas regulares a uma clínica onde há profissionais que respondem a dúvidas sobre o problema das crianças e qual a melhor maneira de lidar com essas dificuldades.
A pesquisa — Participaram da pesquisa 124 crianças de 4 a 13 anos que tinham autismo e enfrentavam outros problemas de comportamento, como múltiplos e prolongados acessos de raiva e agressividade. Todos os participantes receberam tratamento com medicação, mas somente os pais de alguns deles fizeram parte do programa de treinamento para pais de crianças autistas. Os jovens foram acompanhados por seis meses.
Os pesquisadores observaram que, embora os dois grupos tenham demonstrado melhora na inteiração social e na comunicação funcional dos jovens, o tratamento que associou medicação e treinamento dos pais foi mais eficiente para ajudar tais problemas.
"Problemas graves de comportamento interferem diretamente na vida cotidiana das crianças e na de suas famílias. Diminuir as consequências dessas dificuldades pode facilitar o dia-a-dia desses jovens e melhorar sua qualidade de vida", afirma Lawrence Scahill, coordenador do estudo.
A partir desses resultados, a equipe que realizou o estudo vai desenvolver outra pesquisa para observar como o tratamento feito apenas com o treinamento dos pais, e sem medicação, ajuda crianças autistas. Os pesquisadores também pretendem publicar um manual de treinamento de pais de jovens com autismo a fim de compartilhar esses conhecimentos com o público em geral.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Foha Universal Autismo

13/11/2011

Rio de Janeiro (RJ) – A vereadora Tânia Bastos (PRB) participou da audiência pública promovida pela Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia e Religião da Assembleia Legislativa (Alerj), onde representou o senador Marcelo Crivella. A vereadora recebeu o título de “Madrinha dos Autistas” pela iniciativa de levar a discussão de forma pioneira à Câmara Municipal da capital fluminense.

A parlamentar destacou o projeto de lei, de sua autoria, que dispõe sobre a divulgação do autismo pela prefeitura, através de material impresso, a fim de alertar os pais sobre possíveis alterações na interação social e, assim, estimular o diagnóstico precoce.


Estudos apontam que há cerca de 160 mil famílias cadastradas no Estado que possuem em seu núcleo pelo menos uma pessoa com a síndrome. “É importante saber que há uma visão estereotipada do autista, como uma pessoa completamente isolada do convívio social. Muitos autistas têm condições de entrar na faculdade e serem muito bem-sucedidos. Mas, para isso, é importante a intervenção precoce, um tratamento eficiente e um apoio permanente aos pais e portadores”, explicou a parlamentar.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Programa Hoje em dia, materia sobre superação com Saulo Lucas Autista

Garoto autista sai do silêncio e até faz poesias graças ao computador

 
autista aprende a comunicar
Jamie Ponsonby, cujo autismo foi diagnosticado aos dois anos e meio, aprendeu a comunicar via computador e até faz poesias (Foto BBC).
O mundo sempre reserva alguns acontecimentos surpreendentes para todos nós, como o que aconteceu com o britânico Jamie Ponsonby. Ele passou muitos anos sem conseguir falar, escondido em seu próprio mundo.
Mas sua família, não desistiu dele. Comprou um computador e pacientemente ensinou a usá-lo. Depois de algum tempo, o jovem que sofre de autismo, aprendeu a se expressar através do teclado do computador e foi muito além: também escreve poemas!
Sua mãe, Serena, disse que isso permitiu que Jamie se comunicasse com a família e que, assim, ela pudesse entendê-lo melhor.
“Nós não tínhamos ideia de que havia uma pessoa lá dentro que sabia tudo”, afirmou ela, conforme notícia publicada na BBC:
Emoções e senso de humor
“Por meio da digitação nós descobrimos que ele sabe todo tipo de coisa. Ele está totalmente ciente de tudo, seu senso de humor está totalmente ali. Ele tem uma poesia linda, seus sentimentos e emoções são todos perfeitamente normais e acima da média para sua idade.”
O diretor de pesquisas da entidade beneficente Research Autism, Richard Mills, disse que casos como o de Jamie são relativamente raros.
Ele disse que a técnica usada pelos pais de Jamie para ajudá-lo a se comunicar – conhecida como comunicação facilitada – apesar de polêmica, tem mostrado bons resultados.
Ela foi introduzida pela primeira vez na Austrália nos anos 70 e consiste em alguém apoiar a mão, o pulso ou o braço de um a pessoa com deficiência comunicativa enquanto esta usa um teclado ou outro aparelho para formar palavras e frases.
“Nós sabemos que pessoas com autismo muitas vezes precisam de muito tempo de processamento. Eles precisam que as coisas sejam visuais, então palavras digitadas em um teclado tendem a funcionar melhor (do que outras formas de comunicação como o uso da fala, por exemplo)”.
Paciência
Serena disse que apesar de Jamie digitar com lentidão – ele levou duas semanas para digitar seu poema sobre autismo – ele está, aos poucos, ficando mais rápido e independente.
Ela percebeu que havia um problema com seu filho quando ele tinha 18 meses de idade.
“Ele foi diagnosticado com dois anos e meio, mas desde os 18 meses eu sabia que algo não estava certo. Ele costumava adorar música mas começava a gritar quando eu o levava para aulas de música”, disse ela.
Durante alguns anos após seu diagnóstico, Jamie perdeu mais e mais habilidades , incluindo a fala. Ele tinha uma habilidade limitada para se comunicar por meio de sinais, portanto a comunicação se tornou difícil.
“Nós começamos a estimulá-lo a digitar aos nove anos de idade, após eu ler um livro sobre alguém que achava mais fácil digitar, apesar de ela saber falar”, contou Serena.
“Pensei que talvez pudesse ser um caminho diferente. Começamos a estimulá-lo a digitar as palavras que ele sabia usar com sinais e fizemos progressos bem, bem lentos. Nós muitas vezes pensamos em desistir.”
“Depois de alguns anos ele começou a ler placas e vimos que ele conseguia ler. Começamos a fazer perguntas e ele digitava todo tipo de coisa que nem sabíamos que ele conhecia”, disse a mãe.
“Como uma família, isso nos permitiu a saber que existe alguém ali que sabe tudo que está acontecendo. Ele adora viajar e se você sabe que ele está ganhando algo com isso, sua paciência aumenta.”
“Você não fala com ele como com alguém que não entende – sua autoestima e confiança estão infinitamente melhores.”
Apesar do sucesso descrito pela família, a técnica da comunicação facilitada é criticada por cientistas que questionam o grau de interferência dos responsáveis no momento de comunicação pelo teclado.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O abandono do Enfermo Mental

O abandono do enfermo mental
Preconceito, falta de hospitais decentes e equipados e omissão do Estado - o doente continua a ser tratado em depósitos de gente
Antonio Carlos Prado



O Brasil sempre cuidou mal de seus enfermos mentais. A novidade, aterradora, é que agora consegue cuidar pior ainda – e a mais recente perda de qualidade se deu a partir do efeito colateral daquilo que um dia se imaginou ser o grande remédio: os movimentos antimanicomiais. Capitaneados por alguns médicos, poucos intelectuais e muitos políticos, que elegeram como ideólogo o cientista italiano Franco Basaglia, tais movimentos ganharam a queda de braço com a psiquiatria tradicional, exigiram o fechamento de uma infinidade de hospitais e promoveram a desinternação em massa de pacientes. A maioria desses hospitais e clínicas, operando como verdadeiras masmorras, tinha mesmo de ser implodida porque estava em questão a humanização dos tratamentos, ponto com o qual, naturalmente, todos concordavam e concordam. Ocorre, no entanto, que o Estado pouco fez para que em seu lugar surgissem unidades modernas e adequadas de atendimento. O resultado de tal negligência hoje é triste: os escassos leitos psiquiátricos, com mais de 70% deles ocupados por alcoolistas, não atendem à demanda e as instituições novamente se tornaram “depósitos de enfermos”, como diz a diretora do Conselho Federal de Serviço Social, Maria Bernadette de Moraes Medeiros. Mais triste ainda: estima-se que 60% dos pacientes não se adaptaram ao convívio com seus familiares (e vice-versa) e muitos deles tornaram-se paulatinamente os chamados moradores de rua, numa sucessão de gerações que vivem nessa penúria. “A esquizofrenia está presente em 10% dos sem-teto e 90% deles são alcoolistas”, diz Wagner Gattaz, professor titular e presidente do conselho diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq). “Infelizmente, a política tem mais força que as evidências científicas e a saúde mental ou fica abandonada ou é equivocadamente enfocada pelos governantes.”
Antonio Serafim, psicólogo
Desembarcadas no Brasil há um quarto de século, as teses dos movimentos antimanicomiais até hoje orientam as políticas oficiais de saúde mental e delas nasceram, por exemplo, os Centros de Apoio Psicossocial (Caps), espécie de solução a conta-gotas num oceano de problemas: funcionam somente como ambulatórios, embora recebam 63,4% das verbas destinadas à saúde mental, e de suas 1,4 mil unidades apenas 50 internam pacientes. “No momento agudo de uma crise esquizofrênica em que o doente se sente perseguido, por exemplo, é preciso internação para protegê-lo de si mesmo e para proteger a sociedade”, diz Antonio Serafim, professor de psicologia e coordenador do Programa de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do IPq do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. “Quando um enfermo mental comete um crime, é por pura negligência do Estado.” Ele alerta para o fato de que atualmente já é possível, até mesmo numa criança, detectar se ela dá sinais de que poderá desenvolver alguma enfermidade mental. Para isso, no entanto, o Estado tem de estar presente nas escolas com psicólogos e educadores especializados. Serafim cita dois exemplos, o de Wellington de Oliveira (responsável pelo recente massacre numa escola no Rio de Janeiro) e o de Mateus Meira (que em 1999 metralhou pessoas num cinema em São Paulo). “Não é andando na rua que vamos dizer esse cidadão pode ser um Wellington e esse pode ser um Meira, não é olhando adultos. É acompanhando de forma especializada crianças nas escolas, e isso exige participação do Estado”, diz Serafim. Outro exemplo a reafirmar o seu raciocínio é a estatística sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: a cada dez crianças com essa doença, seis correm alto risco de se envolverem em delinquência juvenil.
Pode-se então, dessa forma, intervir preventivamente na saúde mental, em vez de apenas se pensar nela quando ocorrem atos de violência – seja do indivíduo contra a sociedade, seja contra si mesmo. Entra-se aqui, assim, num dos mais importantes campos relacionados a esse tipo de enfermidade – o do estigma. Muitas vezes a família guarda preconceito contra seu ente doente e não o leva a tratamento, muitas vezes a sociedade o isola. O Estado não age para derrubar esses tabus e quando acontecem atos de violência o estigma aumenta porque corre-se a vincular o doente e a sua doença ao crime. “Antes era o estigma de enfermo mental, depois vem o estigma de enfermo mental criminoso”, diz Serafim. “Hoje no Brasil o diagnóstico de doença mental não é diagnóstico, é condenação”, diz Jorge Alberto Costa e Silva, ex- diretor internacional da OMS e ex-presidente da Associação Mundial de Psiquiatria. “O doente mental é estigmatizado, ninguém quer ter um por perto. O País precisa mudar radicalmente essa maneira de pensar e de agir.”
O Brasil e outros países
Especialistas consultados por ISTOÉ são unânimes: Alemanha, Canadá e Inglaterra são modelos no campo da saúde mental por possuírem justamente o que falta ao Brasil: planejamento de assistência. Na Alemanha os hospitais têm como prolongamento comunidades terapêuticas e oficinas abrigadas.
No Canadá os cuidados são totalmente integrados em três níveis: primário (posto de saúde), secundário (hospital de médio porte) e terciário (hospital de referência). A Inglaterra desenvolveu um programa de internação máxima e desinternação gradual para o enfermo que tenha cometido um crime: ao sair do hospital, vai obrigatoriamente para as unidades comunitárias e seus familiares diretos têm de acompanhá-lo. No Brasil o doente mental criminoso, se for considerado irresponsável pelo seu ato, é encaminhado a manicômios. Em nenhum deles há tratamento adequado, quer psicológico ou medicamentoso, e os recursos recebidos do Estado são mínimos. “É mais fácil excluir da sociedade: tranca lá e pronto. Embora hospitalizados, os pacientes não recebem tratamento, a não ser a contenção”, diz Maria Bernadette de Moraes Medeiros, diretora do Conselho Federal de Serviço Social. Os manicômios são, em sua maioria, um local para esperar a morte.



http://www.istoe.com.br/reportagens/135122_O+ABANDONO+DO+ENFERMO+MENTAL

PROJETO. POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA A CONSCIENTIZAÇÃO DA DOENÇA

Publicado no OTEMPO Contagem em 17/02/2012
O vereador Beto Diniz apresentou na terça-feira (14), o projeto de lei nº 89, que institui o Dia Municipal da Pessoa com Autismo, a ser comemorado no dia 2 de abril. O objetivo é alertar para a conscientização do autismo município, além da criação de políticas públicas voltadas para os portadores da síndrome. Autismo é uma desordem na qual uma criança não pode desenvolver relações sociais normais, se comporta de modo compulsivo e em alguns casos não desenvolve inteligência normal. O autismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde, OMS, como o mais grave distúrbio da comunicação humana. O debate foi proposto pelo GIEC, Grupo de Inclusão Escolar de Contagem. Segundo o GIEC, o Dia Municipal do Autista é o primeiro passo para um debate mais profundo, o reconhecimento da síndrome. Os pais relatam que só assim os doentes receberão um tratamento digno. Além disso, os familiares esperam também, o respaldo do governo em questões como benefícios e passe livre. Marlene Torres, representante do GIEC, ressalta que no município não há políticas voltadas para o tema. "A doença tem um difícil diagnóstico, que não é oferecido em Contagem, as famílias tem que ir para Belo Horizonte para ser atendido por especialistas".

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cresce a terapia com games

Eletrônicos ajudam no tratamento de crianças especiais, como as autistas
Publicado no Jornal OTEMPO em 05/02/2012
BÁRBARA CAMARGO ESPECIAL PARA O Tempo Tecnologia
 
O uso de videogames no tratamento terapêutico de portadores de autismo e síndrome de Down está se tornando cada vez mais frequente. Utilizando tecnologia que dispensa o uso de controles e botões, esses jogos e softwares pedagógicos estão ajudando crianças com necessidades especiais a terem acesso a um universo de informação que nunca tiveram antes.

Por serem de fácil manuseio, os games estão não só contribuindo para a melhoria das habilidades motoras dessas crianças, mas também ajudando no desenvolvimento de capacidades neurológicas, como concentração e foco. Duas habilidades ausentes, por exemplo, nos portadores de autismo - que possuem também dificuldades de compreensão e de expressão.

O professor Arthur Kummer, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que, apesar de parte dessas tecnologias já serem utilizadas pela ciência há algum tempo, essa é a primeira vez que os videogames estão sendo recomendados e utilizados nos consultórios médicos - e também pelos pais -, como parte de um tratamento pedagógico.

O cientista da computação e mestre em engenharia eletrônica Murilo Queiroz é pai de Max, 5, portador de autismo, e há algum tempo presenteou o filho com um tablet Android, munido de jogos que ensinam o garoto a executar tarefas diárias e a fazer uso da linguagem verbal.

Usando games que primam por brincadeiras que reforçam e recompensam a criança, Queiroz contou que, desde o início do uso dos jogos para tablets, houve um progresso significativo na cognição do filho. "Sobretudo nos quesitos concentração e foco. Antes, o Max não conseguia ficar mais de dois minutos centrado em uma só atividade. Hoje, ele passa 20, 30 minutos desenhando na escola", conta.

Cuidados. A coordenadora do Ambulatório de Terapia Ocupacional da UFMG, Lívia Castro, lembra que, por essas patologias que envolvem deficiência mental e motora terem intensidade de retardo neurológico diferentes, o ideal é que cada terapia, seja ela com jogos eletrônicos ou não, passe antes pelo crivo de um terapeuta ocupacional, de um psicólogo e de um fonoaudiólogo.

Kummer concorda com a especialista e ressalta ainda que existem ferramentas que podem ter efeitos contrários ao que se espera. "Foi descoberto, por exemplo, que os Teletubies têm um impacto desastroso na linguagem da criança. Além disso, a ciência não dá conta de acompanhar a evolução de todos esses softwares. Muitos que estão no mercado não foram testados", observa ele.

Pesquisa
"Treino" também ajuda os estudantes
Pesquisa realizada em 2011, pela Universidade de Nottigham, do Reino Unido, mostrou igualmente a evolução nas habilidades médias de estudantes portadores de variados graus de autismo e síndrome de Down depois de treinarem, por cinco meses, técnicas motoras e
cognitivas em jogos de tênis e boliche no Kinect e Nintendo Wii.

Segundo a pesquisadora que coordenou os estudos, Rachel Folds, da Escola de Educação de Nottigham, quase 90% desses jovens de 16 a 24 anos submetidos aos testes declararam que os games conseguiram de fato captar sua atenção, além de terem ensinado coisas que não esperavam. Por essa razão, teriam o desejo de continuar a utilizá-los como ferramenta de ajuda nos estudos, para conseguir uma vaga na universidade no futuro.

O psiquiatra da infância e da adolescência Arthur Kummer alerta, principalmente os pais, para o fato de que o tratamento desses pacientes não funciona de forma isolada, ou seja, os jogos eletrônicos não podem ser priorizados em detrimento de outras terapias. Pessoas com necessidades especiais precisam desenvolver diversas habilidades, como a atenção, o equilíbrio, a coordenação motora e a fala. (BC)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Matéria Sobre Autismo em BH Jornal O Tempo

Ao perceber que seus filhos, que sofrem de autismo, não teriam suporte adequado em uma creche pública de Belo Horizonte, o educador Maurício Moreira ofereceu apoio técnico à instituição. Ele passou seis meses como voluntário em uma Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) da região Norte da capital, prestando suporte na adaptação de Matheus, 3, e Maxwell, 5.
O educador percebeu a necessidade de "intervir" pela dificuldade de os educadores em adequar o ensino aos seus filhos. O autismo é um transtorno que afeta a capacidade de comunicação e socialização da criança. "Faltam políticas públicas voltadas exclusivamente para essas pessoas. É preciso que os autistas sejam considerados deficientes, o que lhes garantiriam benefícios como educação especializada, centros de tratamento, gratuidade no transporte e aposentadoria", afirma Maurício Moreira, que é diretor de eventos do Instituto Superação.
Dados de 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em Minas Gerais, 147 mil pessoas têm o transtorno, 20 mil delas na capital. Em dezembro do ano passado, o prefeito Marcio Lacerda vetou o projeto que incluiria o autismo como uma deficiência, sob o argumento de que a medida é preconceituosa. Além disso, o município informou que a cidade já oferece tratamento diferenciado na educação e na saúde para autistas.
Moreira discorda. "Não consigo manter uma continuidade no tratamento dos meus filhos porque, na rede pública, é difícil encontrar profissionais qualificados". Para aliviar sintomas como a irritabilidade, dificuldade de sociabilização e convívio, o autista precisa ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar, com médico neurologista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo etc.
Para o psicólogo e psicanalista da Fundação de Atendimento Especializado de Nova Lima (Faenol) Marcelo Bizzotto Pinto, a grande dificuldade dos pacientes está no respeito às diferenças. "Os autistas precisam que as pessoas se adaptem à realidade dele, sem que sejam criadas barreiras e constrangimentos".